stricto sensu

qualquer coisa coisa qualquer
Vão é palavra cheia

Onde cabe o mundo

Nela, encontro você

E me perco de mim

 

Oco é o vão que carrego

No peito, ferida aberta,

Onde dorme um sonho

Que o caminho perdeu

 

No hiato descanso

Meu passo torto

E mato o tempo

A tempo de esquecer

 

Vida é o que carrego

No amplo espaço

Que faço da janela
Aberta ao vento.

Vão é palavra cheia

Onde cabe o mundo

Nela, encontro você

E me perco de mim

 

Oco é o vão que carrego

No peito, ferida aberta,

Onde dorme um sonho

Que o caminho perdeu

 

No hiato descanso

Meu passo torto

E mato o tempo

A tempo de esquecer

 

Vida é o que carrego

No amplo espaço

Que faço da janela

Aberta ao vento.

faces and mask
photo by paulo thiago

faces and mask

photo by paulo thiago

“i once had a girl or should 
i say she once had me”

photo by paulo thiago

“i once had a girl or should

i say she once had me”


photo by paulo thiago

the pitfalls of your pigtails has the taste of strong ales. i love all your forests, and as i swallow such delights so deep into the night, i realize it can’t be real. i just had a dream that you had me. 
photo by paulo thiago

the pitfalls of your pigtails has the taste of strong ales. i love all your forests, and as i swallow such delights so deep into the night, i realize it can’t be real. i just had a dream that you had me.

photo by paulo thiago

nova york, 1989. essa imagem é pra mim um momento de chegada. vindo do trópico e caindo no inverso duro de manhattan. depois de horas de viagem. avião. aeroporto. um banho fervendo e a janela embaçada. la fora o inverno glacial. e eu aconchegado neste outro mundo que me acolhe ao seu jeito.

nova york, 1989. essa imagem é pra mim um momento de chegada. vindo do trópico e caindo no inverso duro de manhattan. depois de horas de viagem. avião. aeroporto. um banho fervendo e a janela embaçada. la fora o inverno glacial. e eu aconchegado neste outro mundo que me acolhe ao seu jeito.

Gosto muito do tumblr dessa menina. e acho sensacional que ela não se depile, como é a atual “ordem natural” das coisas…

nettierharris:

Nettie Harris-Brian Rains Bloomington Indiana

Gosto muito do tumblr dessa menina. e acho sensacional que ela não se depile, como é a atual “ordem natural” das coisas…

nettierharris:

Nettie Harris-Brian Rains
Bloomington Indiana

(Source: lovetowatchherleave)

as coisas não são tão assim coisas, afinal. têm nome e sobrenome, alguns impronunciáveis, é verdade, mas que se soletram no escuro quando ninguém vê. palavras vagabundas que crepitam na fogueira da boca, afirmando coisas sobre as coisas inomináveis, que se diluem em sentimentos ambíguos e se perdem na poeira do esquecimento. deslembradas antes mesmo do dizer, morrem no céu da boca, como estrelas repentinas de luz atrasada, afogadas na língua imóvel. mas algumas poucas escapam entre os dentes, escorrem como baba pelos cantos e iluminam sentidos guardados nas funduras dos instantes inesperados, como quando nos encontramos, querida amiga, fora da curva dos dias normais e inventamos apaixonados todo aquele vocabulário, em que reaprendemos nossos nomes. teu corpo sobre o meu fez um novo idioma, para, a boca imóvel, me frasear em teu ventre. na nossa sintaxe invertemos a norma culta e a diferença de idade uniu sujeito, verbo e complemento num novo sentido para as coisas, que, afinal, não são tão coisas assim.

as coisas não são tão assim coisas, afinal. têm nome e sobrenome, alguns impronunciáveis, é verdade, mas que se soletram no escuro quando ninguém vê. palavras vagabundas que crepitam na fogueira da boca, afirmando coisas sobre as coisas inomináveis, que se diluem em sentimentos ambíguos e se perdem na poeira do esquecimento. deslembradas antes mesmo do dizer, morrem no céu da boca, como estrelas repentinas de luz atrasada, afogadas na língua imóvel. mas algumas poucas escapam entre os dentes, escorrem como baba pelos cantos e iluminam sentidos guardados nas funduras dos instantes inesperados, como quando nos encontramos, querida amiga, fora da curva dos dias normais e inventamos apaixonados todo aquele vocabulário, em que reaprendemos nossos nomes. teu corpo sobre o meu fez um novo idioma, para, a boca imóvel, me frasear em teu ventre. na nossa sintaxe invertemos a norma culta e a diferença de idade uniu sujeito, verbo e complemento num novo sentido para as coisas, que, afinal, não são tão coisas assim.

o poeta é um sujeito hirsuto e sério. tão sério como seria se de fato fosse. de modo que aqui está em plena luz do espelho. o ego refletido em brilho e sombra. como a viagem interna, ego trip, narcísica mania de autodevoração, auto-oração, autocoração. a alma oblíqua que entra pela janela e brilha nos olhos siderados do louco imaginado em meio ao caos da casa, habitat natural.

o poeta é um sujeito hirsuto e sério. tão sério como seria se de fato fosse. de modo que aqui está em plena luz do espelho. o ego refletido em brilho e sombra. como a viagem interna, ego trip, narcísica mania de autodevoração, auto-oração, autocoração. a alma oblíqua que entra pela janela e brilha nos olhos siderados do louco imaginado em meio ao caos da casa, habitat natural.

autorretrato pelo espelho sujo reflete a imagem do caos. banheiro e leitura. combinação imprópria. ideias em mutação. poeira e vida. barba grandesgrenhada e branca cinza. marca do tempo que vira a página da infância. mas o menino continua ali. inquieto febril curioso. autrorretrato inquientante do instante agora em que sinto que fixo a imagem que muda constante. não posso parar e ficar é tudo que quero com você.

autorretrato pelo espelho sujo reflete a imagem do caos. banheiro e leitura. combinação imprópria. ideias em mutação. poeira e vida. barba grandesgrenhada e branca cinza. marca do tempo que vira a página da infância. mas o menino continua ali. inquieto febril curioso. autrorretrato inquientante do instante agora em que sinto que fixo a imagem que muda constante. não posso parar e ficar é tudo que quero com você.

Sem saideira
 
O tempo se esvai em mim e
Rápido escorre sem memória.
Alucino neste lapso repentino
Em que imagino teu abraço
E sonho, relapso, que sinto
O sopro morno de frases soltas
Que me recitas ao ouvido
 
Mas, entrecortado, o fôlego curto 
É um adeus terno e afiado que 
Me larga ao vento, abandonado.
Perco-te no abraço largo
Que não demos, e o compasso
Que perdemos evidencia a
Distância que nos afasta o tempo
 
Em outra vida, dizes, quem sabe…
E no zás de um instante
Piso novamente em chão firme.
Caio do céu de nosso enlaço
E aos poucos apago a memória.
O tempo que me resta é este
Sem volta, solitário, sem vez.
 
Não adio mais nada para o além
Não quero karma no depois
Fecho a conta, sem saideira.
Levo comigo apenas o fio
Dos amores que vivi intensamente
Das perdas e daquilo que não tive
Mas que, vazio, se fez presente.

Sem saideira

 

O tempo se esvai em mim e

Rápido escorre sem memória.

Alucino neste lapso repentino

Em que imagino teu abraço

E sonho, relapso, que sinto

O sopro morno de frases soltas

Que me recitas ao ouvido

 

Mas, entrecortado, o fôlego curto

É um adeus terno e afiado que

Me larga ao vento, abandonado.

Perco-te no abraço largo

Que não demos, e o compasso

Que perdemos evidencia a

Distância que nos afasta o tempo

 

Em outra vida, dizes, quem sabe…

E no zás de um instante

Piso novamente em chão firme.

Caio do céu de nosso enlaço

E aos poucos apago a memória.

O tempo que me resta é este

Sem volta, solitário, sem vez.

 

Não adio mais nada para o além

Não quero karma no depois

Fecho a conta, sem saideira.

Levo comigo apenas o fio

Dos amores que vivi intensamente

Das perdas e daquilo que não tive

Mas que, vazio, se fez presente.